acaso

Se as placas tectônicas se movessem o bastante, quem sabe a Terra não seria um globo, mas uma pinta que se leva na pele, e ama. Um conjunto de manchas apontando a direção. Norte. Em frente. “Continue”. Dizem que uma hora os terremotos se acentuam e tudo junta, mas temo que em algum minuto eu confunda meus tremores com o peso dos seus passos. Eu não deveria estar aqui, e por algum motivo, divino, demoníaco ou humano, estou. Olhando pela janela, amantes se despedindo, amigos se desmontando e desconhecidos se procurando numa sede faminta que mete medo. Tento fechar os trincos, me tranco e não escapulo. Por algum ponto e pólo e linha do meridiano, os tempos se convergem. Quem sabe quando a África e a América se unirem novamente, o solo se envergonhe tanto que me dá teu chão.

Agora: estou bem nos meus buracos.
Ainda: estou bem, nos meus buracos.