florejaram
eu sou mesmo diferente.

sei disso pela maneira estranha como a dona do mercadinho me olha, nunca encontro a escova de dente e ela me olha de canto de olho. me sinto observada cada vez que saio de casa, ninguém tem cara para me chamar de estranha, no máximo ouço “você é tão diferente das meninas da sua idade.”, sou nada. sempre lembro daquela frase que diz “cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.”. difícil dizer se acho uma delícia a maior parte do tempo ser o que sou. é estranho não se encaixar completamente em algo. meu amigo de quinze anos, acha que sou louca. eu falo tanto, tanto, tanto e sinto que não digo nada, sinto isso pela maneira como me respondem. é confuso. parece que quanto mais abstrato falo, mais clara eu quero ser. só que ninguém entende isso. ninguém entende o que eu digo. eu acho que sou mesmo diferente.