Eu não sei falar de amor. Eu não conheço isso. Não tive amores que foram desiludidos, não possui paixões que terminaram em dores. Nunca me apaixonei seriamente e nunca senti realmente o que é se sentir querido. Para mim esse é um assunto do qual não gosto de falar, mas que irei expor aqui. Amor para mim é a sensação de guerra vencida. Aquele sentimento de ter conseguido algo ou um objetivo. Não há nada melhor que o êxtase de alcançar a meta, encontrar o objetivo. Se você buscar, quase todos os discos tocam melodias apaixonadas. Sabe o que isso quer dizer? Isso significa que vivemos em um mundo doente. Pessoas trabalham o dia inteiro, crianças são escravizadas na educação integral e os artistas circenses são jogados dos trens em movimento. A população busca vorazmente uma cura, um remédio que as faça bem e renovadas após a labuta diária. Porém elas não ganham isso com o amor, ganham ilusões. Todos somos humanos, é a suscetibilidade nata do homem buscar outra carne. A mesma carne nunca satisfaz a mesma pele sempre. Temos que parar com essa ditadura amorosa e apenas permitir que vivamos em paz conosco mesmos e deixemos o amor em segundo plano, sem decepções, algo necessário mas descartável como um jantar. Eu vejo cores e percebo que o amor sempre é negro, sempre rosa bonina. Nunca tons de vermelho ou branco. Parem com essa ideia de que o amor é essencial, eu simplesmente não ligo para nada disso. No fim do dia, quando alguém te deixar, você ainda terá uma vida inteira para viver, escolhas para fazer e coisas para sacrificar. O amor não é real, apenas uma esperança. Todos esperam que isso seja o resultado para suas perguntas, mas muitos que encontram o “verdadeiro amor" sabem que ele é falho e que não é como uma flor e sim como uma semente em um mundo infértil. Em alguns poucos casos sobrevive, mas a regra é que tudo morra. Assim como nós, não caia na ilusão dessa armadilha.
Charlie Workhard