Cuspo palavras amargas para que essas não venham e me corroer por dentro. Minha escrita é isso - fuga. Exteriorizo loucuras, pois meu peito já está no limite de contenção. Não posso me permitir afogar, não nessa água escura, insalubre. Contrairia muito mais que mera barriga d’água. É como quem regurgita de tanto comer, no meu caso, cuspo palavras por tê-las em excesso na minha mente. Libertar-me do excedente é urgência. Percebo que brevemente essa água me cobrirá por completo, afundando-me em neologismos e inexistências calcinantes. Escrever, à mim, é muito mais que junção de palavras, é libertação. Necessito lançar fora o cinza no qual minha alma está se enlameando.
Eu, Sísifo